COMO EU SE VIRO NA ESCRITA: UM GUIA POLITICAMENTE INCORRETO PARA ESCREVER E SER ENTENDIDO

Capítulo 4. Criatividade, clareza e economia de palavras: com resolver essas tretas.

 A Criatividade é uma das potências humanas mais intrigantes, pois ela participa do sentido que damos a essa vida já que, por si só, a vida não tem sentido algum.

A Criatividade sempre se fez presente na hora dos homens tomarem conta do planeta e criaram e aperfeiçoaram as coisas que necessitam para viver.

Há criatividade num foguete espacial, nas teorias matemáticas, nos quadros de pintura, num prato de salada, num relógio, num smartphone, num respirador, num sapato, num verso, num texto.

Mas a grande sacada é entender que a Criatividade não opera sozinha. Que há algo maior por detrás dela, fazendo com que a Criatividade seja a consequência da operação de uma outra potência humana formidável chamada: Imaginação.

A Criatividade, portanto, é o resultado do trabalho da Imaginação.

O fato de alguém ter criado um meme ou um texto que viralizou na internet faz com que tanto aquelas duas peças quanto seu autor possam ser considerados criativos.

Entretanto, o verdadeiro motivo do meme ou do texto terem viralizado e se transformado em peças criativas é um só: o modo diferenciado com que a Imaginação do autor operou sobre ambos. Dito de outra forma: não foi a criatividade, mas sim a imaginação do autor que fez com que o meme e o texto viralizassem.

Muitas pessoas que gostariam de dar um upgrade em seus textos, tornando-os mais criativos, acabam desistindo porque, ao invés de irem atrás da Imaginação, caem na cilada de irem em busca da Criatividade, algo que, por si só, não leva a lugar nenhum, visto que a Criatividade é um mero estado das coisas, gerado pela Imaginação.

Para ser criativo, portanto, é preciso esquecer a Criatividade e dar as mãos à Imaginação: a mãe da criação é a Imaginação e não a Criatividade.

Vou insistir: a mãe da criação é a Imaginação e não a Criatividade!

Resta saber então como redigir textos que arrebentem a boca do balão de tão criatvos...; é o que veremos a seguir.

É através da imitação que aprendemos grande parte do que sabemos, e isso em todas as áreas do conhecimento.

O recurso da imitação, presente na Psicologia do Desenvolvimento, é amplamente alardeado e recomendado dentro do panteão das Artes, e sua máxima principal é esta: a arte nasce da arte!

Todos os grandes autores e artistas começaram imitando alguém! Todos. A partir daí, como o passar do tempo, foram se afastando de seus mestres de referência e, pouco a pouco, alçaram voo com sua própria arte.

Mas imitar, aqui, não significa tão somente imitar o modo de escrever de alguém, o que, aliás, no começo não é recomendável.

Há inúmeras outras coisas que podemos imitar no início, fazendo com que nossa Imaginação incida sobre elas, transformando-as a nosso gosto, de modo a produzirmos textos extremamente criativos.

Mitos, histórias e fábulas são excelentes conteúdos para serem imitados, transformados e adaptados.

Experimente, por exemplo, reescrever (imitar) com a sua Imaginação um mito qualquer da Mitologia Grega que você curta, e depois mostre para as pessoas.

A maioria, que inclusive não conhece nada de Mitologia Grega, vai achar que você tem um tremendo talento e que seu futuro com os textos é altamente promissor.

Então a recomendação final em relação à Criatividade só pode ser esta: no início, imite, imite e imite. Não perca tempo com criações pessoais pobres e anêmicas. Agarre-se com os gigantes que um dia você será um deles.

Vamos falar agora sobre a Clareza e a economia de palavras na escrita.

Loquaz, circunspecto, pusilânime, frenesi, soslaio, quem sabe o que significam essas palavras? Pouquíssimas pessoas sabem o que elas significam. O vocabulário ativo de uma pessoa com instrução média é de aproximadamente 1500 palavras de uso corrente que todo mundo conhece.

Se uma das características para se produzir uma escrita clara é a utilização de palavras conhecidas pela maioria, então me parece que não há problema quanto a isso e estaríamos perdendo tempo em recomendar que palavras sofisticadas sejam evitadas na hora de escrever. Porque a maioria simplesmente não conhece palavras sofisticadas para utilizar quando se mete a escrever! Talvez você seja uma exceção. Se for, ao escrever utilize palavras simples para ser claro e ponto final.

Quanto à economia de palavras, que junto com a estrutura lógica do texto, que nada mais é que a existência de uma introdução, desenvolvimento e conclusão, é outro coisa que também deixa a escrita clara.

Perceba que do modo como foi escrito o parágrafo acima não ficou bem claro.

Suprimindo todas as palavras que não interessam à ideia central, ele ficaria assim:

"Outra coisa que também deixa a escrita clara é a economia de palavras."

Economizando mais palavras ainda o parágrafo ficaria mais claro que o anterior:

"A economia de palavras também deixa a escrita clara."

Quanto à estrutura lógica do texto, pensar sempre numa introdução, num desenvolvimento e numa conclusão são elementos que, ao lado das palavras simples e da economia de palavras, ajudam a tornar a escrita clara.

A estrutura lógica do texto será analisada em outro capítulo.