Capítulo 3. Tipos de escritas que já eram e a escrita Plug and Play (PnP)
A Escrita Pedante, a Escrita Boçal e a Escrita Pentelho já eram. No fundo, esses três tipos de escrita, que estão com os dias contados mas que ainda existem aos montes por aí, são um reflexo da personalidade estrábica de seus autores.
Com a advento da internet a informação foi arregaçada pra todos os lados, acarretando um verdadeiro milagre da era pós-moderna que deu origem a duas consequências principais. Primeira: a desidiotização da população e, segunda, o horror dos donos dos mega meios tradicionais de comunicação, diante da libertação do povo do idiotismo e da cegueira que eles mesmos se encarregavam de manter acesos.
A internet mudou o mundo e as pessoas para sempre. Graças à rede, milhares de idiotas, trouxas e alienados de outrora tornaram-se pessoas seletivas e dotadas de autocrítica que não permitem mais serem tratadas como otárias por quem quer que seja.
Parece que os autores de escritas pedantes, boçais e pentelhas, ainda partem do princípio que os leitores de hoje são os mesmos otários de ontem. Esses autores não tem o menor desconfiômetro; não fazem a menor ideia de quanto os seus textos são evitados e até mesmo desprezados pelos leitores.
Um sujeito pedante pode ser tanto alguém que se expressa de modo arrogante, ostentando alto saber, cultura e erudição, como alguém que se manifesta desfilando altos conhecimentos que na realidade não possui.
Essas idiotices e patologias individuais são transferidas para a escrita por seus autores, fazendo da Escrita Pedante algo estúpido e caricato que é difícil de digerir.
De outro lado, tal qual a personalidade de um ogro, a Escrita Boçal é uma escrita tosca, ignorante, grosseira, dotada de pouca inteligência, sensibilidade e cultura, enquanto a Escrita Pentelho é uma escrita chata, enfadonha, maçante.
Se é fato que a maioria não gosta de gente pedante, tosca ou chata, fica fácil concluir que a pedanteria, a tosquice e a chatice também são três moscas varejeiras que é preciso evitar a todo custo na hora de escrever para não dar com a cara na porta e afastar leitores.
Antes de passarmos para a Escrita Plug and Play ou Escrita PnP, que é uma criação minha, vou resumir o assunto em uma única linha para você recordar na hora de escrever. Aqui vai:
Ao escrever não seja pedante: seja normal; ao escrever não seja tosco: seja normal; ao escrever não seja chato: seja normal.
Como todos sabem, "Plug and Play" significa simplesmente ligar e usar que a coisa rola sem maiores preocupações. Ou seja, não é preciso fazermos qualquer outra coisa além de plugarmos o aparelho na tomada ou em outro aparelho para que o dito cujo funcione.
A minha Escrita PnP é um tipo de escrita em que o leitor é "plugado" logo no início do texto e, a seguir, tem seu "play" ativado, de modo a fazê-lo simpatizar com determinadas ideias embutidas no texto.
Ao contrário do que se possa imaginar, o principal motivo que me levou a criar a Escrita Plug and Play não foi o de conduzir leitores para esta ou para aquela direção, através da técnica que a PnP encerra.
O objetivo maior é comparar a PnP com outros tipos de escritas criadas pelos americanos, como Copywriting, Technical Writing, UX Writing, Content Writing, entre outras, para demonstrar o alto grau de ineficiência e bizarrice embutidos nesses writings todos exportados pelo Tio Sam e papagaiados por aqui.
Não perca tempo com baboseiras.
Se você conseguir não ser pedante nem tosco nem chato ao escrever, já está de bom tamanho, falta pouco para chegar lá.
É isso aí.