COMO EU SE VIRO NA ESCRITA: UM GUIA POLITICAMENTE INCORRETO PARA ESCREVER E SER ENTENDIDO

Capítulo 1. Introdução rapidinha e a Escrita Umbigo.


Vou aproveitar esta introdução para explicar rapidamente três coisas relacionadas com o ato de escrever que me parecem interessantes. A primeira diz respeito ao fato da maioria conseguir se expressar falando sobre qualquer assunto, mas brochar na hora de escrever uma linha qualquer. A segunda escancara o que é escrever bem. E, finalmente, a terceira é sobre o porquê de continuarmos lendo um monte de textos todos os dias, para os quais não estamos nem aí. Vamos lá. Assim como tem gente que canta ou toca um instrumento musical sem fazer força, também tem gente que escreve naturalmente, tudo na boa. Mas é uma minoria. Na hora de escrever a maioria coloca o rabinho entre as pernas, pede arrego e não sai nada. Muito dessa brochada tem origem nos bancos escolares, junto com outras burrices que são transmitidas de pai para filho, sob os auspícios do topete da "erudição". Centenas de regras gramaticais, tratados e mais tratados de sintaxe, semântica etc. ao lado dos floreios e das babaquices da chamada escrita erudita, impostos na marra na escola, fazem com que a maioria consiga se expressar bem falando, mas negue fogo na hora que precisa escrever meia dúzia de palavras. Ou seja, a própria escola contribui para o pessoal brochar diante da escrita. Pois bem. Nessa barafunda toda não se vê ninguém cometer o sacrilégio de dizer o seguinte: escrever bem é escrever como se fala. Escrever sem amarras. Escrever livre feito um pardal. Eis aí a primeira grande sacada para escrever e ser entendido. Para se comunicar com o leitor e fazer a cabeça dele, que é o mais importante de tudo como se verá num capítulo mais a frente. Se você prestar a atenção no número de comentários você vai notar que pilhas e mais pilhas de jornalistas, de blogueiros e marketeiros escrevem todos os dias na internet, sem que ninguém dê a mínima para o que eles escrevem. Trata-se do que eu chamo de "escrita umbigo". Uma escrita oca e sem ressonância, que é voltada unicamente para o umbigo do seu autor. Os textos dos escribas da escrita umbigo não fazem a cabeça de ninguém. Aliás, na real, muita pouca coisa daquilo que lemos faz a nossa cabeça. Mas se é assim, então por que continuamos lendo essa montoeira de escrita umbigo todos os dias? A melhor maneira de responder é comparar a leitura com um garimpo. É como se estivéssemos lendo para garimpar alguma informação preciosa que nos ajude a sobreviver nesse mundo caótico em que vivemos e ponto final. No fundo, ler sempre tem a ver com algo de esperança, que pode estar escondida em alguma parte do texto. Uma pepita de ouro no meio do cascalho e da terra bruta, digamos assim. De resto, o conteúdo deste livro é diferente de tudo o que já foi falado ou publicado sobre o tema até hoje. Muitos concordarão com as ideias que aqui se encontram e farão uso delas em seu proveito; outros, vão meter o pau e recomendá-las ao fogo do inferno. Ambas as linhas são bem-vindas, porque nada é unânime nesta vida. O autor.